21.8.05

candeeiro, madrugada



a luz é insidiosa, silenciosa,
os olhos de um filósofo
olham-me numa gravura
a meio caminho de ser comida
pela humidade e pelo desagregar do
tempo

a aparelhagem e os seus botõezinhos
cinzentos, tecnológicos, complexos
lembram-me as promessas da adolescência
que não chegaram a ser
cumpridas

o padrão da carpete
esconde famílias, pegadas
de pessoas passadas,
pessoas que morreram à pouco
mas que morreram tão
irreversíveis

eu também tenho morrido
e de vez em quando
tenho morrido asfixia
com os objectos espalhados pelo quarto
que naufragam
pelo chão
adentro

12 comentários:

rafael disse...

a pessoa é uma pintura do gerhard richter e passo a citar:

"These three paintings are alternately-sized versions of the same source photo. The original image is of the dead body of Ulrike Meinhof, who hung herself in her Stammheim prison cell on Mother's Day in 1976. The original image is shocking, graphic, and gruesome; her neck having been cut through by the home-made cord she used to end her life. These images are also unique in the cycle; they represent an event that occurred more than a year before October 18, 1977. They contrast sharply from the warm, wistful image of the first painting in the series, a glamour shot of a younger Ulrike Meinhof."

o grupo baader-meinhof, foi um grupo terrorista de extrema esquerda que fez as suas tropelias na alemanha ocidental, no fim da década de sententa, vivia-se a lua de mel do terrorismo de esquerda na europa, com as brigadas vermelhas na itália, a eta, o ira,

o andreas baader e a ulrike meinhof foram os dois passear, o andreas deu um pum e a ulrike foi ao ar.
lá lá lá.

Anónimo disse...

oinc!

porco fumado

De Paraquedas disse...

o teu contador é tem algo de estranho

De Paraquedas disse...

errata:
o teu contador tem algo de estranho

Diletante a priori disse...

mea culpa - no contador.

De Paraquedas disse...

o contador tem algo de estranho:
o contador conta a duplicar ou a quadruplicar.

Márcia disse...

and so do I.
beijo grande, rafa.

Anónimo disse...

Tudo se espalha aos poucos...até os sonhos, espalhados estão nesse chão, e eu sem querer não os consigo apanhar. Bonito poema...gosto deste estilo....será que há poesia estilo dúbio? Esta acho que é, mas....com um significado muito disperso o que a deixa simplesmente maravilhosa...
Pi

Anónimo disse...

P.S. beijo ao querubim :)
Pi

De Paraquedas disse...

O contador já não conta a duplicar.
No entanto, de cada vez que saio dos comments e volto à página actual, o contador conta. Será uma contagem correcta? Vale como uma nova entrada?

anoeee disse...

Gostei muito da tua madrugada do candeeiro... Acho que estás mesmo a adquirir um estilo novo, mais maduro. Boa!

Anónimo disse...

anoee eu já tinha dito, ele é que não acredita :P:P
Pi