28.6.09

o coração do meu avô
duas folhas de celofane
ensanguentadas

18.6.09

convite

Convidam -se todos as pessoas do mundo
a aparecerem no dia 13 de Julho, segunda feira,
às 20horas, na Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul
para uma apresentação oficial dos textos
produzidos e entrega dos diplomas
dos participantes do curso de escrita criativa
"construir a narrativa" ministrado pelo escritor
João Rafael Dionísio

12.5.09

anjo nítrico








o esqueleto das asas
nuvem com agulha de anestesia
aves metalúrgicas em estilhaços
uma criança morta pela mãe

arquitectura de cornijas criminosas
ecos de um cão fantasma
eu a voar por entre os telhados
esgares em voos venenosos
os ossos das asas esticados

capitel coríntio com caveiras
o inferno são os outros
um jardim erótico de canibalismo
frenesim inquieto e aracnóide
a personificação etrusca da morte
o fervilhar bactérias da cidade

um reptilíneo combate
torres de vigilância, o sol,
algures muito depois, o jardim
máscara da primeira guerra
um biblioteca cheia de raiva
e o paraíso ao virar da esquina

19.4.09

depósito de aluvião

mexo-me sem ossos, cidade líquida
a corda das nuvens amarra o céu
um gato a olhar para a lareira
sou forçado a ter que falar

carapaça de quitina, é um insecto
paisagem lunar submarina
nesta lâmina lê-se o futuro
uma pessoa completamente labirintos
as flores mortas sobre a mesa
e os pés enterrados no chão

o azimute de não estar aqui
linhas difusas no nevoeiro
as paredes a sussurrarem-me
o corpo sangrado de electricidade
um ar condicionado ao longe
uma pessoa que não nasceu

vivo dentro de um funil
musgo-me nas árvores,
bidões nos baldios, trilhos,
um deus a devorar uma criança
e as pepitas da anarquia a luzirem

13.4.09

CURSOS DE ESCRITA CRIATIVA


(8 aulas de 2,5 horas= 20 horas)
Segundas-feiras
das 19.30-22h.
120 não sócios
100 sócios

4 ,11, 18, 25 Maio
1, 8, 15, 22, Junho)



Filosofia deste Curso

O género narrativo, nomeadamente o Romance, é o género literário mais prestigiado desde o século XIX.
Este é um curso especial dedicado a elaborar um texto mais vasto Um texto do género narrativo. Os exercícios desenvolvem-se por módulos. Esses módulos são independentes mas com uma certa continuidade. O objectivo é construir um texto com alguma amplitude. Fazendo uma montagem gradual dos módulos de texto que vão sendo desenvolvidos na aula. Os módulos seguem uma estrutura que se baseia nas principais categorias da narrativa.




Objectivos do Curso:

· Melhorar a expressão escrita.
· Exprimir o mundo interior.
· Desenvolver capacidades narrativas.
· Ganhar capacidades ao nível da construção de uma estória.
· Aventurar-se a escrever com algum nível de complexidade.
· Tomar consciência das especificidades e estruturas narrativas.
· Montar um texto por partes articuladas que faz um todo maior.
A quem se destina:

A todos os que tenham interesse em desenvolver processos criativos no âmbito da palavra escrita, tanto numa perspectiva de desenvolvimento pessoal como na perspectiva de quem aspira a construir uma obra narrativa de algum fôlego.

Modo de funcionamento:

As aulas funcionam com breves exposições teóricas sobre vários temas narratológicos seguidos da apresentação de enunciados e da sua resolução e discussão.

Apresentação Final dos Trabalhos

Será feita uma apresentação final dos trabalhos efectuados ao longo do curso, numa sessão extra para o público nas instalações da Sociedade. Em data a determinar no princípio de Julho.
Será dado um certificado.

8.3.09

mandíbula





altas e baixas pressões
palavras, espirais, labirintos,
a cratera enquanto obra de arte
círculos, árvores cubistas
um tronco encalhado na areia
gaivota a imitar esfinge

talude com raiva tectónica
símbolos, civilizações, barómetros,
a ciência da inobjectividade
a morder-se no dorso
céu caixa torácica
mil reflexos no mar
a luz, a luz, a luz

labirinto antes do labirinto
havia ali uma passagem
as vozes que falam ao longe
era numa subida, acho eu,
a pulsação do sangue
passeio pelas falésias frustradas
e o sol a debater-se
com o horizonte

6.2.09

CURSO DE ESCRITA CRIATIVA






Associação Chili Com Carne
R. dos Fanqueiros, 174, 1ºEsquerdo)
Curso/Workshop/Oficina/ Atelier
de Escrita Criativa
Pró-Primavera de 2009
por joão rafael dionísio
(9 aulas de 2 horas= 18 horas)
Quintas-feiras das 19.30 às 21.30
(de 26 de fevereiro a 23 de abril)
100 euricos


Filosofia deste Curso

O género narrativo, nomeadamente o Romance, é o género literário mais prestigiado desde o século XIX. Este é um curso especial dedicado a elaborar um texto mais vasto Um texto do género narrativo. Os exercícios desenvolvem-se por módulos. Esses módulos são independentes mas com uma certa continuidade. O objectivo é construir um texto com alguma amplitude. Fazendo uma montagem gradual dos módulos de texto que vão sendo desenvolvidos na aula.

Objectivos do Curso:

• Melhorar a expressão escrita.
• Exprimir o mundo interior.
• Desenvolver capacidades narrativas.
• Ganhar capacidades ao nível da construção de uma estória.
• Aventurar-se a escrever com algum nível de complexidade.
• Tomar consciência das especificidades e estruturas narrativas.
• Montar um texto por partes articuladas que faz um todo maior.

A quem se destina:

A todos os que tenham interesse em desenvolver processos criativos no âmbito da palavra escrita, tanto numa perspectiva de desenvolvimento pessoal como na perspectiva de quem aspira a construir uma obra narrativa de algum fôlego.

Modo de funcionamento:

As aulas funcionam com breves exposições teóricas sobre vários temas seguidos da apresentação de enunciados e da sua resolução e discussão.

18.1.09

um embrião a sonhar









ainda não nasci

rede de veias em redor

estrada deserta com solitude

a dissolução dos pensamentos

árvore fluída a desabrochar

tem sido difícil até aqui

duas tintas, duas escritas

vitelo desmanchado em quartos

um arco-íris perfeito em semi-círculo

um projecto que nunca se realizará

as dúvidas são como as bactérias

há planícies onde se envelhece muito

uma máquina de metal com dentes

o sol a pôr-se ridículo e fatalista

o destino é um escaravelho

e outros disparates românticos

alguma coisa a desfazer-se no horizonte

maré vazia, conchas nocturnas

os cavalos no jogo do xadrez

um gato a dormir ao sol

não cheguei a nascer


5.1.09

em vez da ode marítima















instabilidade emocional

a vida na plataforma continental

os microrganismos na água

uma casa inundada de algas

peixes a olharem cheios de terror

cardumes de pensamentos afogados

dormir no azul da prússia

com cabelos de mitocôndria

cinco dedos folhas de cada pé

uma pessoa a cair no chão

os ventrículos de um polvo

animais que vivem da filtragem

absessos de cérebro, cáries neurológicas

um grande tremor da personalidade

barco afundado de outras eras

o sangue transporta sais

fissuras na crosta terrestre

espetar agrafos nas pernas

os limos e outros pulmões

a vida quotidiana é insalubre









4.12.08

Festa-Feira "Furacão Mitra"








::10 a 20 de Dezembro na INTERPRESS::

Rua Luz Soriano, 67 Bairro Alto
aberto de 4ª Feira a Sábado, entre as 19h e as 24h

26.11.08

elogio do plutónio








a quimioterapia
um pôr-do-sol inesquecível
um gato a dormir no estado líquido
cloreto de sangue, magnésio difuso

as cinturas de van allen
segredos, tabus, esconderijos
sismo provocado em laboratório
durante a noite, espasmos de luz
sonhos, pesadelos, perversidades

vestígios arqueológicos com ossadas
as flores a crescerem num labirinto
bomba à beira da auto-estrada
bolsas com tendência positiva
pulso torcido durante a escrita

o sorriso de uma jovem mulher
o número de passageiros total
derrame cerebral ainda operável
viagens em saldo, paraísos tropicais
a poesia é uma gravidez ectópica
uma pessoa com problemas mentais
um homem morto nos esgotos
e outras novidades editoriais

18.11.08

um sol esquizofrénico



uma pessoa que não sabe o que quer

a noite é um líquido negro

caleidoscópios e complexidade, todos os dias

a existência parece-me uma neblina


o universo é um gás esquisito

a vida continua, apesar de tudo

limos e néons, ruas de aquário

seres contorcem-se por cima da terra

a as fossas do mundo, no seu chamamento


apesar de tudo existe luz

as pessoas sorriem por entre amigos

há outros sítios para onde ir

o mundo está cheio de gente

os automóveis fuçam na cidades

pássaro passando, radiação no ar

labirintos, labirintos, labirintos


a toca de um verme violento

os ossos a boiarem num sonho

o prisma de cores de isaac newton

uma janela com bactérias

aquilo de que somos feitos: isto.

31.10.08

as paisagens solenes



canteiro com flores da retórica
céu de calcário, mesa de mármore
hélice aprisionada numa grade

o sapal das doenças
a floresta das bactérias
mão de radiografia a acenar

talvez seja possível não sofrer
pássaro de pedra, vôo profundo
a estátua derrubada de um mito
um jogo de ossos humanos
um carreiro com ervas e lua
sonhos de morte e decomposição
a taxa de suicídio deste ano
instalações portuárias, balança comercial
os valores acumulados da precipitação
o número de crianças subterrâneas
as vezes que o sol já nasceu

carcassa de noite com costelas
andar de um lado para o outro
talvez seja possível não sofrer
o fogo é um fósforo a arder

14.10.08

a insónia enquanto obra de arte


acender uma vela
só para queimar tempo
o labirinto mete-se para dentro
aranha a morder o cimento das paredes
sonhar com uma noite bem dormida

grandes tijolos de agitação
vertigem com contornos confusos
obstáculos feitos de penumbra
estilhaços mentais, destroços mentais
agitação no escuro, sofrimento no claro

um dia incompreensível
jardim com arame farpado
ruídos, escavadora, cães
as metástases do barulho
flores conceptuais, pólen mecânico
degraus perplexos, passos perplexos
aviões sobrevoam-nos constantemente

estátua neurótica, mármore acordado
luz, e ruas, e realidade
oráculo atulhado de pedras
o dia é ser betonado vivo

5.10.08

naufrágio próprio




a geometria entre as pessoas
esta sombra já é de ontem
o cérebro líquido da electricidade

emoções ferrosas, a terra intensa
não ter paciência para nada
os afluentes do álcool na cabeça
a constipação dos pensamentos

o sol está a pôr ovos
cicatrizes na pele da mesa
os telhados suspiram, doentes de morte
a resistência dos materiais

gritos microscópicos, serpentes,
animal com farpas no dorso
uma caixa cheia de sal
pomares com fruta e venenos
uma pessoa a debater-se

uma praia em convalescência
um canto totalmente ao calhas
bolbos, fungos, erupções,
silêncio com toneladas de água

e eu a afogar-me ao longe

16.9.08

NOVO CURSO de ESCRITA

Sociedade Guilherme Cossoul
Curso/Workshop/Oficina/ Atelier
de Escrita Criativa
Outono de 2008
por joão rafael dionísio

(7 aulas de 2,5 horas= 17,5 horas)
120 não sócios, 100 sócios
de 6 de Outubro a fim de Novembro
segundas, das 19.30 às 22horas
Av. D. Carlos I , nº 61, 1º Andar
em Santos, Lisboa
Telefone: 21 397 34 71


Objectivos do curso:

· Despoletar a criatividade
· Melhorar a expressão escrita
· Desenvolver capacidades linguísticas
· Exprimir o mundo interior
· Partilhar saberes e cultura


A quem se destina:

A todos os que tenham interesse em desenvolver processos criativos no âmbito da palavra escrita, tanto numa perspectiva de desenvolvimento pessoal como na perspectiva de quem aspira a construir uma obra.

Modo de funcionamento:

As aulas funcionam com breves exposições teóricas sobre vários temas seguidos da apresentação de enunciados e da sua resolução e discussão.



Estrutura do Curso

I Parte (a palavra lúdica)

1) Apresentação. Brevíssima História da Escrita e do Livro. Interpretação de manchas tipo Rorschach. A proto-Frase. Exercícios de Escrita Automática.

2). Exercícios de Escrita Automática. Listagens. O Sintagma Nominal. Intersecção de Campos Semânticos.

3). Definir palavras. Léxico e Morfologia. Criar neologismos.

4). Fraseologia (Maximalismo e Minimalismo). Outros Exercícios.

II Parte (narrar e criar)

5). Interpretar as pessoas (imagens). Esboçar enredos.

6). Exercício de Percursos. A utilização de Arquétipos.

7). Narratividade e Personagem. Esboçar situações de enredo com ajuda da cábula da tipologia de Propp. Reflexões finais. Entrega dos Diplomas.




9.9.08

notícias do labirinto


notícias do labirinto

as gaivotas gritam hienas
o jardim sonho dos peixes
o fogo lento, réptil vermelho
grânulos de luz contra a parede

cortinas grandes, o teatro da infância
sonhos, o vento, e as heresias
céu ferrugento, nuvens como musgo
campânulas de voltar ao passado
cotovelo de estrada, braço de mar

ir por muitos caminhos ao mesmo tempo
envelhece-se todos os dias
flores frias, notícias do labirinto
estrelas subterrâneas, janelas e corredores
a pulsação do sangue nas carótidas
som suspenso de automóvel ausente

abres a boca e lá dentro “labirinto”
mitos e ovos de vermes ninho cova
os caminhos que se rectangularizam
a inconsciência do centro
um vulcão é uma janela
as veias do mundo

31.8.08

haiku 1.1

abro o frigorífico
o peixe morto
olha angustiado

27.8.08

o esqueleto de zeus


campos de cereais são metálicos
o ofício obsoleto mas arcaico da poesia
acidente rodoviário
a caixa das costelas carbonizada

holofotes de luz suspensos no medo
ratos a resolverem labirintos
machado com gume de lua

caleidoscópio de bactérias
organismos vivos, organismos mortos
espectros, muros, visões
borbulhas de electricidade

natureza morta com deus menor
sol de hidrogénio, lua de pedra
máscaras, tótens, subterrâneos
suspensão de cabeça do avesso

arqueologia do primeiro eu
dissecar um fantasma~
as raízes do cérebro
aleatório deambular
ventoinhas a girar no cimento
o infinito é uma lemniscata

eu e a joana na praia das furnas