14.10.08

a insónia enquanto obra de arte


acender uma vela
só para queimar tempo
o labirinto mete-se para dentro
aranha a morder o cimento das paredes
sonhar com uma noite bem dormida

grandes tijolos de agitação
vertigem com contornos confusos
obstáculos feitos de penumbra
estilhaços mentais, destroços mentais
agitação no escuro, sofrimento no claro

um dia incompreensível
jardim com arame farpado
ruídos, escavadora, cães
as metástases do barulho
flores conceptuais, pólen mecânico
degraus perplexos, passos perplexos
aviões sobrevoam-nos constantemente

estátua neurótica, mármore acordado
luz, e ruas, e realidade
oráculo atulhado de pedras
o dia é ser betonado vivo

7 comentários:

Van disse...

Este também! :)

Anónimo disse...

Hey! Grande poema!

Beijinhos, miúdo giro.

conchinha

Anónimo disse...

Temos que comprar a cama nova...
;)

Dinis Lapa disse...

Acender uma vela só para queimar tempo porque o dia é ser betonado vivo.

abraços

Anónimo disse...

thank's

Joaolsd disse...

dizia a Menina de Salignac, cega de nascença, (...) 'eu enfrento os turbilhões de poeira, ao passo que os que estão à minha volta fecham os olhos e ficam agastados, por vezes durante todo o dia, por não os terem fechado a tempo. basta um simples átomo imperceptível para os atormentar cruelmente..
Ao chegar a noite, dizia que ia acabar o nosso reino e começar o seu. entende-se que, vivendo nas trevas, com o hábito de agir e de pensar durante uma noite eterna, a insónia que, para nós, é tão penosa, nem chegasse a ser para ela, importuna.'

Anónimo disse...

muito bom.
salomé