18.1.09

um embrião a sonhar









ainda não nasci

rede de veias em redor

estrada deserta com solitude

a dissolução dos pensamentos

árvore fluída a desabrochar

tem sido difícil até aqui

duas tintas, duas escritas

vitelo desmanchado em quartos

um arco-íris perfeito em semi-círculo

um projecto que nunca se realizará

as dúvidas são como as bactérias

há planícies onde se envelhece muito

uma máquina de metal com dentes

o sol a pôr-se ridículo e fatalista

o destino é um escaravelho

e outros disparates românticos

alguma coisa a desfazer-se no horizonte

maré vazia, conchas nocturnas

os cavalos no jogo do xadrez

um gato a dormir ao sol

não cheguei a nascer


3 comentários:

Anónimo disse...

Gosto do que escreves. Muito!

Beijinhos, miúdo giro.

conchinha

Dinis Lapa disse...

A ideia é muito boa, o resultado também. A ambiguidade de não se saber se é mesmo um relato de um embrião ou uma metáfora, ou ambos. Isto é poesia.

um abraço

Anónimo disse...

Gostei imenso deste também.

Van