2.9.05

o "quarto dos meninos"


em tons amarelos e secos
as cortinas pesadas, monumentais,
as paredes eram azul desmaiado
de tabaco

e havia uma máquina de costura
enorme, coberta com um pano terra
que parecia um vulto assustador
fascinante, misterioso

a colcha era de desenhos estampados,
tecido liso e fino, era uma rede
de florzinhas estilizadas e pontinhos

passava horas de olhos abertos
imerso em terror e em espanto
olhando o tecto, as cortinas, o vulto,
imaginando coisas
e sonhando

passava horas de olhos abertos
a olhar em redor, fascinado,
no centro do mundo.

e hoje passo horas
a imaginar-me quando estava a imaginar
quando naquele "quarto dos meninos"
podia ser tudo porque imaginário

10 comentários:

rafael disse...

desta vez tive uma ideia diferente: pôr uma imagem do gerhard richter...

e sim, vou publicar um livro, um romance, em breve, pela chili com carne. já publiquei dois com essa editora. a propósito, os livros estão à venda online, para alguém que esteja eventualmente interessado: www.chilicomcarne.com

ah, e obrigado a todos pelos comentários que me teem deixado, a sério, tenho apr4endido muito sobre a escrita com todos vocês.

é engraçado, eu agora acho que ando a tentar fazer uma coisa que uma vez disse que se devia fazer quando se escreve: "procurar as coisas simples, falar dos objectos que nos estão próximos e das memórias". eu sempre achei isso, mas no fundo nunca escrevi assim. enfim, não sei se tou equívocado.

abraços a todos e a todas

rafael disse...

o romance chama-se "lucrécia" e é uma espécie de biografia de uma pessoa normal, mas o livro vai-se deteriorando (literariamente). a estória entra em decomposição e em colapso total.
depois digo qq coisa mais prar a frente quando o livro já estiver a a ser cozinhado na fornalha.

rafael disse...

hics

Anónimo disse...

e no fim a pessoa é caos, tem uma história, páginas, fala muito, existe desde o princípio de um tudo sem princípio. a lucrécia transforma-se e passa a existir nas nossas cabeças e a fazer-nos companhia, uma presença lógica, literária, que toca tanto como a presença (a tua). a vida da "júlia". a júlia agora tem carne, e ossos (e sangue, e doenças:) e ensina-me coisas. a metamorfose do próprio livro, de tudo aquilo que lês, da personagem, da história, dos dias.
S. (sim, eu)

Anónimo disse...

QUE HISTÓRIA É ESSA?????EU NÃO SABIA QUE A LUCRECIA SEMPRE IA SAIR....PARABÉNS(EU CÁ JÁ LI):P
PI

macaco chinês disse...

Gosto quando és menos "intelectual" e "mais humano" ;)
Bom trabalho!

Serôdio Narigudo disse...

entrevista Lol :D

quem são os poetas que preferes?

Lia disse...

:)Rafa, quando és verdadeiro és universal:)
está lindo:):):)

beijinhos :)

Anónimo disse...

que foto engraçada... os 3 dalmatas lol
lol

:D

jaquino augusto

rafael disse...

os dálmatas transformados em criancinhas tive agora a ler o frankenstein, granda malha, o monstro no fim morre, o seu criador também.