1.4.07

o fogo e as florestas


a força vem de dentro dos objectos são os objectos. fausto tentar tentáculo, se archotes então palavras revoltadas, a trotar planícies cheias florestas, através dos ramos cavalgada anárquica. a doença lancetava-lhe a força. a falta de ar lancetava-lhe a nevrose. a doença abafava-lhe o rosto cheio de força, cheio de força eram polvos e polvos na cara, metidos brônquios adentro, a copularem com as frinchas do oxigénio.
fausto quis queria levantar a cabeça para sair da sub vida. levantar a cabeça górgona parasitas, no chão do seu crânio estava uma taça com os seus pensamentos. uma taça cheia dos seus vísceras pensamentos. com tanta força e com tantas ideias e com tanta força e com tantos pensamentos. e depois haver pensamentos armadilhados, pensamentos que não se podem tocar explodem. com a pessoa pensamentos como se fossem seus familiares.
familiares mórbidos a urdirem incapacidades ao sujeito. pensamentos minados como se fossem familiares mórbidos a envenenarem a vida os novos seres já condenados que depois da alegria só encontram gengivas nas prisões. definitivamente envenenado pelos familiares. traições psíquicas por trás. uma psique que ficou definitivamente envenenada pelos familiares.
o chão não era o chão. eram sair poros da terra e a terra a respirar um halo mórbido, húmido. nessas frestas da crosta terrestre cresciam árvores. árvores nubladas de grandes caules. a floresta era um livro misterioso, com milhares de páginas nervuradas penduradas nas árvores. fausto pilha voltaica amordaçado tentáculos de ferrugem. no chão do crânio uma energia revolucionária. uma energia revolucionária que há-de levar á vitória e à loucura. e eram páginas e páginas de energia nervurada, as sombras cheias de nevoeiro arvoredo.
a radiação das coisas. inúmeros objectos e várias mãos. as luzes eram febris e fabris. as luzes eram como se olhos de van gohg: cintilantes e contorcidos. tudo olhava e tudo tinha olhos: os objectos, os pensamentos doentes, a compressão dentro dos compartimentos prisão, a força espartilhada eram polvos, a força genésica e o mal de fausto. os seus filhos também nasciam doentes. os filhos a brotarem dracmas doentes na paisagem e a sua mulher de cabeça aberta a parir uma criança pela cabeça, o chão do mal, a densidade floresta, a radiação das coisas, a sua profunda vitória, o cavalo às vezes é o ser mais surpreendente. fausto era apenas um riso na sombra da floresta. com a luz do sol ou a luz da lua, tanto faz, a trespassar segmentos e segmentos de recta. e eram as copas enormes que florestavam tudo e o caminho era pedregoso e musgoso.
e, no charco, no centro da floresta, ringue a luta do bem e do mal ringue. e quando fausto lá chegou já o mal e o bem pareciam uma massa indiferenciada fundamental, lodo apócrifo com certeza, o mal era o bem e o bem era o mal, numa fornicação intempestiva, hermafrodita, traumática, cambaleante.numa auto-fornicação infernal que iria certamente levar à morte mútua. e a matéria gemia angústia e orgasmos, a matéria lodo primordial, a matéria quando bem e mal mesclados, assim andrógino cheio de enxofre - fausto: um acto dos diabos, e a floresta labirinto de sombras, a floresta massa primordial de sonâmbulos e de inconscientes, a floresta labirinto informe e inconsciente, e a matéria gemia angústia e orgasmos, o lodo lutava contra si próprio e fausto obrigava uma mulher a pôr ovos, e o lodo misturava-se apócrifo. e depois fausto fabricou um fogo para onde levou dois monstros de lama até ao fogo. e os dois disformes estavam enganchados pelas mandíbulas e pelo sexo. e gemiam quando violenta morte e interpenetravam-se suicídio. fausto fabricou um fogo e depois exterminou os monstros ou vais a bem ou vais a mal. os monstros parasitas insectos conchas lutavam si próprios. e numa pira de chamas ergue-se a salvação última. e o fogo crepitava no centro da floresta. e depois do exorcismo fausto levantou-se do seu esquecimento e trotou animal pela floresta. arrastando fêmeas para a floresta e obrigando-as a foder até rebentarem de tantos filhos. e depois, alegre e sempre bem humorado, como um comediante aliás, embrenhou-se ainda mais labirinto e andava por aqui e por ali a psicanalisar todos os animais mortos que encontrava pelos seus caminhos de floresta.







3 comentários:

© Piedade Araújo Sol disse...

Cheira-me que Fausto tem uma queda para a esquizofrenia aguda.

Hum...estes textos deixam-me de rastos.

Se o querebim aparecer, aqui fica uma beijoka.

Para o Fausto nem me atrevo.Ainda me leva para a Floresta.

....

© Piedade Araújo Sol disse...

Ah

Esqueci-me.

Bom domingo de PAscoa para o Rafa!

ralph disse...

pois.