20.10.06

jau, pensamentos

a minha cabeça está muito esquisita. a minha cabeça está mesmo muito esquisita. passam-se coisas lá dentro. movimentos como se magmáticos. eu sinto a massa encefálica como se movimentos de convecção. no mar há coleópteros que quando entro no mar sobem-me pelos tornozelos acima coleópteros. nem sei que tenho. formigueiros neurológicos, pés de hidropisia, alguém me envenenou o sangue, ou a comida, ou a vida.
a leonor não tinha o direito de me fazer isto. tudo fiz por ela e o que é que levamos em troca? tudo fiz por ela. do que ela se queixava afinal?, a leonor não tinha o direito de me fazer isto, de se ir embora assim, de que se queixava ela afinal?, de nada com certeza, fecho-me em casa porque não gosto lá fora estão são tantas as pessoas. alguém me envenena lentamente. tenho que ter cuidado com o que bebo e onde ponho os pés. ela não tinha o direito de me fazer isto. estou disforme quando olho ao espelho. tenho uns olhos escanzelados que não são normais. oiço gritinhos surdos de crianças por todo o lado. ao longe mas por todo o lado crianças em lado nenhum. não posso ir à rua sem me sentir mal. não posso ir à janela sem que aquela impressão tão grande de luz. os arrepios pela coluna como se descessem elevadores nevróticos pela coluna. ela não tinha, não tinha, o direito de se ir embora. ela foi um bocado frívola, enfim não muito, mas ela foi um bocado frívola mas ela era um bocado cabeça no ar. enfim, não muito mas eu sei que ela precisa de mim. ela podia voltar para mim. porque é que ela não podia voltar para mim? ¡podia claro!, eu iria perdoá-la, claro que tinha de a castigar, ela precisa de ser castigada de vez em quando, para ter a noção de algumas coisas ela precisa de ser castigada. eu sei que ela precisa de ser castigada de vez em quando, isso ajuda-a a saber os limites, até onde pode ir, ser castigada dá-lhe uma certa segurança. ajuda-a.
ela vai-se arrepender tanto de estar com aquele janota, com aqueles seus ares de menino fino, com aqueles parlapiês de meia tigela. ela não conhece a leonor. ele não conhece a leonor. ele não sabe o que é bom ou mau para ela. como é que ele a pode ajudar se não a conhece? eu conheço a leonor. ele não sabe o que é bom ou mau para ela. sei que ela precisa de ajuda. sei que ela precisa de ajuda. que nem tudo nela é o que parece. como é que ela pode ser ajudada se ele não a conhece? eu conheço a leonor. o jolie pensa que é fácil andar com a leonor. mas não é fácil. ela não é uma rapariga normal. ela precisa de ser castigada. tem as suas coisas, as suas particularidades, as suas manias, as suas idiossincrasias, as suas peculiaridades escondidas, o jolie não vai saber respeitar isso. nem a vai castigar quando ela precisa. vai andar com punhos de renda, e quando ela precisar de ser corrigida ele não vai saber lidar com isso. e é bem feito. é bem feito porque quando ela estiver em défice, quando ela estiver em dia não e se calhar o jolie ainda só apanhou maravilhas de dias sim, quando ela estiver em dia não ele não vai saber lidar com isso. e aí ele vai voltar para mim. é nesse momento que ela vai perceber que só eu a posso ajudar, que só eu a conheço como só eu a conheço.
e eu vou castigá-la quando ela voltar para mim. um castigo especial, diferente dos habituais, mas depois vou perdoá-la.
e se ela não chegar a voltar para mim? isso não pode acontecer, mas se isso que não pode acontecer acontecer eu vou ter que apagá-la. vou ter de a matar, vou ter de a matar. o que ela me está a fazer não se faz a ninguém. se ela não voltar rapidamente para mim vou ter que levar isto até às últimas consequências, vou ter de a matar. não é que eu queira levar isto até às últimas consequências, não é que eu queira. se eu a matar é porque ela me obrigou a isso. é claro que não quero fazer mal à leonorzinha. se ela voltar para mim em breve e pedir desculpas, se se mostrar arrependida e mostrar que está disposta a pagar pelo que me fez se isso acontecer ainda a vou perdoar. com um castigo valente em cima dela, mas acabo por a perdoar. mas se ela não voltar em breve, a pedir desculpa pelo que me fez, isso vai ter consequências muito duras para ela. é que ela não se apercebe que não podia fazer o que me fez. o que ela me fez estava-lhe vedado, por definição estava-lhe vedado.
ela não sabia que não me podia abandonar assim? claro que sabia, mas o jolie deve-lhe ter feito a cabeça. vai-se arrepender de lhe ter feito a cabeça. ela é meio estouvada mas mesmo assim não aceito o que ela me fez. não aceito e não tenho que aceitar. eu não sou obrigado a aceitar de bom grado que ela se vá assim embora de mim. sem ao menos uma explicação. seria o mínimo uma explicação. eu sei que ela só saiu do pé de mim porque o jolie lhe fez a cabeça. deve ser um grande d. juan o jolie! se ele pensa que chega ao pé da minha mulher e com meia dúzia de postas de pescada a leva para ele está muito enganado. vai-se arrepender. vai-lhe custar mesmo muito caro a brincadeira. para ele deve ser sempre assim só porque é jolie e bem falante. deve pensar que pode chegar à beira de todas as mulheres que quer e pegar nelas e levá-las para casa como se estivesse no supermercado. isso não é assim senhor jolie!!, esse luizinho galante está muito equivocado. e vai-lhe sair cara a brincadeira. mesmo muito. vou obrigá-lo a morrer. se ele pensa que pode levar a minha mulher, a minha leonorzinha, com ele está muito enganado.
a ela , se ela voltar e mostrar arrependimento, ainda a posso perdoar a ela. mas a ele não tenho dúvidas que o vou liquidar. ele vai pagar o que fez. vai mesmo. nem que seja a última coisa que faça.

4 comentários:

rafael disse...

copntinua a cena do jau. é um livro que tem por base o tema "triangulo amoroso"

já tem umas 80 páginas A4. tenho trabalhado nele assiduamenet. mas tou numa de publicar aqui na net só prái 10 a 20 por cento, só para dar tesão.



tava a pensar dar o titulo ao livro de
A CENA DO ÓDIO


mas o título é provisório.
(cena do ódio é um poema do Almada Negreiros)

20/10/06 20:31

unDJGS disse...

a cena do ódio? isso não é uma cena da zona j?

Anónimo disse...

Muito repetitivo. Sei que a ideia é reforçar a situação, a obsessão, a esquizofrenia mas, tanta repetição torna-se maçadora.
Já sabes que não digo isto com intenção nenhuma de te magoar, é só o que acho.

Beijinhos
Adriana

Anónimo disse...

olá rafael sou eu! muito bem, tou a ver que o teu blog está activo!

um abraço