16.1.04
15.1.04
10.1.04
pater familias
tenho andado a reler assim falava zaratustra. faz-me lembrar os meus sobrinhos quando estão mais desatinados, carentes, desorientados, com a mãe neurótica, inseguros, agressivos.
coitado do nietzche, também era infeliz, por isso andava sempre zangado e revoltado. eu gosto muitos meus sobrinhos. e do nietzche também.
coitado do nietzche, também era infeliz, por isso andava sempre zangado e revoltado. eu gosto muitos meus sobrinhos. e do nietzche também.
narcismo
agora gostava de ter alguma coisa para escrever aqui. alguma coisa que depois me dissessem que tinham gostado.
8.1.04
6.1.04
revolta
vejo da janela um pinheiro manso, com o sol na sua casca. é a árvore do verão da minha infância. e é tão fácil escrever estas coisinhas assim. estas imagenzinhas manhosas "a árvore da minha infância". que escritazinha repugnante e tão "poética".
todos pró caralho!
todos pró caralho!
testemunho
vinha sossegado no combóio, já quase de noite, a ler uma biografiazeca sobre himmler, quando vejo um velhinho simpático a olhar em volta. sentado muito aprumado no banco, com a barba de neve aparada com rigor, e com um chapéu quase tirolês de tafetá. e os seus olhos eram cansados, quase senis. era o herberto helder. vejo-o muitas vezes no combóio. e ninguém diria que aquele velhinho doméstico é um dos mais violentos e perturbadores poetas de sempre. enfim...
4.1.04
3.1.04
e lembra-se das paredes onde costuma investigar se existe tal coisa chamada eternidade, e por isso ouve música alucinatória, contra o eco dos espíritos, através de desertos bordejados por rios com alguma vegetação, linhas férreas que levam à morte, por entre a paisagem branca de neve e a negritude de um céu que se recusa em acreditar. e a água vai escorrendo pelas paredes, cristalina, pura como se esfolasse o ventre no fundo do rio, e as margens cheias de ferrugem e as fábricas que se erguem na paisagem, como deuses doentes, ou então os trilhos por onde caminhámos quando ainda queríamos ir ao encontro do pôr-do-sol,
1.1.04
e debaixo dos blocos de calcáreo, apodrecido pela lixiviação das águas pluviais, uma matriz coberta por árvores coralíferas, copas de esponja, quando da desglaciação, há dez mil anos, o mar a subir para cima das civilizações costeiras, e então a escrever-se o dilúvio, e os corpos esbranquiçados pela água a boiarem juntos, no meio dos sargaços e dos destroços, madeiras, as medusas penduradas na água, como se não fossem seres vivos, e as águas a subirem para cima do telhado das casas.
o dilúvio.
o dilúvio.
26.12.03
24.12.03
23.12.03
16.12.03
um quarto de quartzo
a rapidez do nevoeiro passa. por entre um rio espelhado a cimento e longos armazães junto á horizontal do rio. um nevoeiro de granito e nele alguém me falou de uma morte recente de uma pessoa que conhecia. "cruzes credo na porta da tabacaria!". é uma reencarnação dessa personagem concerteza. mas eu sou suficientemente egoísta para me alhear do facto, para não ligar, e para furar o nevoeiro como a alegria de um combóio. e o sol atraí-me com os seus cânticos e os seus crepúsculos.
alguém disse uma vez que a morte só acontece aos outros. como é bela e verdadeira essa frase.
alguém disse uma vez que a morte só acontece aos outros. como é bela e verdadeira essa frase.
13.12.03
aparelhos respiratórios
, as vírgulas na paisagem, estruturas linguísticas erguem-se como muralhas, e lá dentro talvez esteja o ser. os tubos respiratórios cheios de asma, a ventilação,
a fluidez do fogo
se formos bem a ver o fogo comporta-se mais como a água, com os seus caudais, meandros e estuários em delta, do que qualquer outra coisa
10.12.03
um quadro de munch
depois do beijo, sorrio sangue. ela retribui o sorriso. e mostra os ossos da boca.
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