14.10.03

perguntei ao desespero porque é que a vida tinha que ser assim. ele respondeu-me que existe uma alavanca no centro do planeta que pode accionar tudo.
as árvores, de certa maneira e do meu ponto focal, já fazem parte do céu.

8.10.03

solidão e silêncio

é a altura que toca a rebate a solidão e o silêncio

7.10.03

mitologia

em vez da cabeça uma pirâmide.

6.10.03

dorso

o mar de noite revela que é um animal.

aniversário

desnovelo a estrada de carro. confortável. depois do aniversário da minha irmã. através do penedo, do pé da serra, por entre quintas adormecidas, carvalhos, canaviais, constelações e árvores-sombra.
as estradas vazias. a tranquilidade. a afectividade. a amizade. os muros. as curvas. os altos e baixos. a plenitude.

4.10.03

uma floresta quer levantar-se no centro do teu deserto.

eros

uma doença tão bela como uma flor

transubstanciação

ando ultimamente a ser habitado por outras pessoas. e agora tenho a cabeça pesada. tão pesada como se o coração fosse parar. ou como se a força de gravidade tivesse aumentado o tamanho das pedras.

2.10.03

verdade e floresta

puz-me a caminho, e passados três dias cheguei dois dias depois.

1.10.03

o meu coração é um animal que escoicinha. e com as suas patas põe pegadas na pleura.
tenho um coração grande. do tamanho de um estômago. pendurado numa catedral de ossos.

30.9.03

um dia talvez

26.9.03

o mar todo veio até aqui, espelhado em setembro, até mim, como legiões a desfilarem, com todos os troféus de guerra, despojos, escravos.

jangada

os ossos como se fossem pedras, a boiarem dentro do corpo, mergulhados no sangue, aquário de vida.
uma planície rasa de electrões, sentado numa cadeira de esplanada, de metal, sinto-me antena perante o electromagnetismo. silvos hertzianos, a sintonização do campo onírico, uma área plana e infinita, com

25.9.03

sextante

um rio de aço serpenteia entre as colinas. contornando os cumes, afundado nos vales, tentando desaguar na felicidade.

24.9.03

thanatos

um dia todos regressaremos ao grande mar.

21.9.03

depois da pele

uma biografia de juncos, o encéfalo a esvaziar-se, os joelhos do pensamento esfolados, uma casa porque.

falsos profetas

os gritos dos de lá de fora trepam para cima das paredes da esperança.